domingo, maio 08, 2011

Vive, observa, descreve


Seus olhos eram inquisitivos e doces, tinha cabelos negros, pele clara e certezas. Sempre foi muito sozinha, mas sua imaginação nunca abandonou-a. Juntas eram princesas, heroínas, guardiãs e também vilãs, por que não?  Em seu diário ela anotava todos os sentimentos novos que lhe ocorriam. Não permitia que nenhum passasse despercebido. Escrevia observações para cada um deles.
Em letras enfáticas,  escreveu o seguinte para aquele sentimento que chamou de amor: MUITO CUIDADO, SEUS EFEITOS PODEM SER DANOSOS. Já o que  denominou de medo, foi apenas observado como "algo passageiro". 
Sentia-se pronta para recebê-los novamente. Os anos tinham passado, ela mudara, seu mundo tornou-se outro. Há tempos que não conseguia escrever sobre os sentimentos que descobria. Ficava aturdida com os julgamentos que a sociedade fazia sobre o amor, o medo, a liberdade e todas aquelas outras palavras que significam tanto para o seres-humanos. 
Simplesmente não entendia o porque de opinarem em seus atos, uma vez que essas pessoas eram como ela; humanos vulneráveis. 
Toda essa balbúrdia deixavam-a gradativamente indiferente. O ato de sentir passou à desnecessário. Talvez tenha sido contaminada pela sociedade que repugnava, ou exausta, tenha desistido.  

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