quinta-feira, dezembro 01, 2011

Só, de Solidão

As horas se arrastavam num movimento infernal. O silêncio tornou-se ruído. A gota d'agua jorrava da pia. Os passos pareciam estar mais perto a cada segundo, mas nunca chegavam. 
Sentou-se na velha poltrona da sala de estar, e esperou. Foi até a cozinha, pegou mais uma caneca de café fresco e voltou para acolher-se na poltrona. O vazio a preenchia, como de costume. Sozinha, sombria, enigmática, perturbada, confusa, medrosa, gélida. O silêncio da noite fria a convidava para dançar. Abriu os braços e entregou-se. A brisa a flor da pele, os cabelos misturavam-se com o vento num compasso incomum. O café, agora já gelado, assistia enciumado àquela dança. Colocou os pés no chão, abriu os olhos, percebeu que pegara no sono. A solidão voltou a abraçar-lhe novamente.

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