quarta-feira, fevereiro 29, 2012

Passionalismo Intrínseco

Era repulsa o que eu sentia ao te ter nas mãos. O mesmo sentimento que atormentava os meus pensamentos onde você, ou melhor, vocês se faziam presente. Os dias se alongavam quando eu  decidia dar toda a minha atenção a você. E mais uma vez te ter nas mãos. Dormir ao seu lado, sem ao menos notar que caíra no sono. O café devidamente pronto, o quarto, o canto, devidamente arrumados a nos esperar. E eu pronta para te devorar. Cada parte, a cada mudança de clima, tempo e lugar. Estávamos sempre ligados. Um a um, incondicionalmente pertencentes ao outro. E te ter nas mãos mais um vez. Tudo que eu desejo é apenas sentir o cheiro do tempo que tu carregas. Desejo sentar contigo no entardecer eterno e me perder nas tuas linhas e entrelinhas. Por quanto tempo terei que aguentar você chegar até a mim sem avisar? Cruzas o meu caminho e me envolve, me mortifica  na sua teia de símbolos e inquietações viscerais de pensamentos. Aceito a condição de definhar ao teu lado, nas tuas palavras borradas, desgastadas pelo tempo e manuseadas por centenas de pessoas que desconheço. Porque me deixei apaixonar-se por você, ou melhor, por vocêsLivros de palavras, o que queres de mim, afinal? 

Um comentário:

Leonardo Teófilo disse...

Durante a leitura arrisquei pitacos sobre quem/o quê você estava escrevendo. Nunca acerto. Sempre uma surpresa.

Danada!

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